1a. edição, 1999
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O menino prodígio que, antes mesmo de completar oito anos, compunha sonatas perfeitas. A complicada relação com o pai, Leopold Mozart, grande incentivador do talento do filho, mas, ao mesmo tempo, ansioso por controlar cada gesto seu. O jovem irreverente que apreciava comentários escatológicos. O homem apaixonado que se casou com Constanze Weber enfrentando a dura objeção paterna. A morte aos 35 anos e o sepultamento inglório. Quanto há de verdade nessas cenas que surgem à mente quando se evoca a figura de Wolfgang Amadeus Mozart, considerado um dos maiores compositores de todos os tempos? Alguma verdade, certamente, mas também muito de lenda. No livro "Mozart", da Objetiva, o biógrafo e historiador Peter Gay não está preocupado apenas em desfazer certos mitos sobre Mozart. Seu empenho maior é mostrar como o excepcional legado da sua obra, assim como de sua atribulada existência, são por si fascinantes, prescindindo de lances melodramáticos. É pouco crível, por exemplo, a hipótese do envenenamento de Mozart por Salieri, assim como da premonição da própria morte que o teria levado a compor o Réquiem, obedecendo a uma misteriosa encomenda. Gay esclarece episódios como esses, servindo-se de seu vasto conhecimento da época. Ainda assim, a figura de Mozart que emerge nessa biografia francamente realista é a de um homem excepcional em todos os sentidos, um criador que apontou novas dimensões para a música, brindando a humanidade com uma obra caudalosa e de inigualável beleza.
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